: Francisco Benítez Aguilar
: O Príncipe Inca, Naufrágio de um Império
: Books on Demand
: 9788410922778
: 1
: CHF 9.90
:
: Gesellschaft
: Portuguese
: 390
: Wasserzeichen
: PC/MAC/eReader/Tablet
: ePUB
Sob a forma de crónica jornalística, com sequências dos acontecimentos que, na opinião do autor, mais influenciaram, narra a partida acelerada de El Callao, no Peru, de dois navios de guerra da Coroa espanhola com destino a Cádis, carregados de riquezas, bens, frutos e prisioneiros da revolta liderada por José Gabriel Tupac Amaru, que foi esquartejado como castigo. O seu filho mais novo, Fernando Tupac, foi levado para Espanha, mas a Nau San Pedro de Alcântara mudou de rota e despenhou-se nos rochedos de Peniche. Mas a história do Príncipe inca não ficou por aqui, porque ele foi um dos sobreviventes. Este livro é uma homenagem aos mais de 300 mortos da travessia e aos habitantes da cidade de Peniche, em Portugal. Não é um romance, é uma história documentada e surpreendente.

O escritor andaluz Francisco Benítez Aguilar aplica nesta obra a técnica da investigação jornalística, sem concessões, tal como fez num dos seus últimos livros publicados pela BOD,'Sólo Dios lo sabía, Diario secreto del Padre Jorge Loring, S.J.' (Só Deus sabia, Diário secreto do Padre Jorge Loring, S.J.). Nascido em Medina Sidonia (Cádis, Andaluzia, Espanha) em 1950, é ibero-americano, jornalista, dramaturgo, argumentista e escritor. Fundador de entidades como a Sociedad Filatélica Gaditana, a Academia Thébussiana de Ciências, Letras, Arte e História e o coletivo Foro Libre; membro do Ateneo Literario, Artístico y Científico de Cádiz e da Academia Iberoamericana y Filipina de Historia Postal, entre outras. Foi redator coordenador dos suplementos dominicais do Diario de Cádiz, chefe de redação de El Periódico de la Bahía; delegado das rádios SER e La Voz de Almería e do diário madrileno El Independiente, com colaborações na rádio e na televisão, colunista das revistas especializadas do Grupo Nexo; de Crónica Filatélica. Diretor da revista Andalucía en el Mundo e dos jornais Noticias del Sudeste e Noticias de Adra, cidade onde criou e realizou projectos como o Festival Internacional de Cinema 24 Horas e La Pasión de Adra. Pretende agora trocar conhecimentos sobre a história comum entre Peniche e Cádis, muito profunda desde 1786, para conseguir a sua geminação como cidades.

UM RETRATO DA SITUAÇÃO


Em 24 de agosto de 1780, o então Vice-Rei do Peru, Don Manuel Guirior, deixou Lima, embarcando com a sua família nesse mesmo dia no porto de El Callao, com destino a Valparaíso, para daí seguir para Espanha, via Buenos Aires, por terra, embarcando aí de novo, sem o risco de atravessar o perigoso Cabo Hornos.

Atrás dele estava o sucesso da expedição de exploração naturalista que partiu de Cádis em novembro de 1777 no navioEl Peruano, composta pelos botânicos espanhóis Hipólito Ruiz e Joseph Pavón, e pelo cientista e médico francês Joseph Dombey, acompanhados pelos desenhadores Joseph Brunete e Isidro Gálvez, para descobrir e catalogar as riquezas naturais do Peru e do Chile.

Enquanto os quatro espanhóis recebiam salários e gratificações da Corte espanhola, o francês recebia 600 pesos da França, embora o Vice-Reino o ajudasse, adiantando-lhe o que fosse necessário.

A faceta política seguia um caminho diferente. O próprio Vice-Rei Manuel de Guirior o deixaria claro no resumo manuscrito do seu mandato em Lima, no qual sublinha a extrema pobreza dos indígenas:

“Sempre sofreram grandes extorsões e agravos, a um tempo com maior reserva, correspondendo ao perigo de que pudessem ser descobertos com menor excesso e aquele que interviesse, só em detrimento particular dos indivíduos daquela nação. Mas nestes últimos anos, a ambição foi exaltada a tal ponto que parece estar a levar à completa ruína das províncias. E, refletindo sobre a razão de tão palpável decadência, com pouco trabalho, ela se acha na permissão dos repartimentos, que antes faltava, e agora parece autorizar os corregedores para todos os arbítrios e poderes que justamente lhes eram vedados