: Martin Gilbert
: A Segunda Guerra Mundial
: D. Quixote
: 9789722044424
: 1
: CHF 14.40
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: 20. Jahrhundert (bis 1945)
: Portuguese
: 1032
: kein Kopierschutz
: PC/MAC/eReader/Tablet
: ePUB
A Segunda Guerra Mundial encontra-se entre os conflitos mais devastadores da história da humanidade: mais de quarenta milhões de militares e civis pereceram, muitos deles, em circunstâncias de uma crueldade prolongada e terrível. Inevitavelmente, e porque foram quem mais sofreu com a guerra, são esses milhões de vítimas que preenchem boa parte das páginas desta obra. A fim de assinalar o septuagésimo aniversário do início da conflagração, as Publicações Dom Quixote editam A Segunda Guerra Mundial, de Martin Gilbert, reputado historiador inglês, internacionalmente celebrado pela sua monumental biografia de Winston Churchill. Abordando, com larga documentação, todos os aspectos e implicações do tema, desde as questões políticas, diplomáticas e militares, às da vida civil, da espionagem, do crescimento e empobrecimento económicos, da liderança nas diversas nações combatentes e do debate ideológico na época, a presente obra é uma inesgotável fonte de conhecimento sobre o maior dos conflitos armados mundiais e o mais sombrio momento da Idade Contemporânea.

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A invasão da Polónia pela Alemanha
Setembro de 1939


A Segunda Guerra Mundial conta-se entre os conflitos mais devastadores da história da humanidade: mais de quarenta e seis milhões de militares e civis pereceram, muitos deles em circunstâncias de uma crueldade prolongada e terrível. Nos 2174 dias de guerra, que decorreram entre o ataque da Alemanha à Polónia em Setembro de 1939 e a rendição do Japão em Agosto de 1945, a esmagadora maioria dos que morreram, quer na frente de batalha quer na retaguarda, tinham nomes e rostos obscuros, excepto para as poucas pessoas que os conheciam ou os amavam; mas em muitos casos, que talvez também atinjam uma cifra de milhões, até mesmo os que em anos posteriores poderiam ter recordado uma vítima foram eliminados. Não foram apenas quarenta e seis milhões de vidas que foram aniquiladas, mas a vida e a vitalidade vibrantes que elas tinham recebido como herança e poderiam ter legado aos seus descendentes: uma herança de trabalho e alegria, de luta e criatividade, de saber, esperanças e felicidade, que ninguém viria a receber ou a transmitir.

Inevitavelmente, e porque foram quem mais sofreu com a guerra, são esses milhões de vítimas que preenchem boa parte destas páginas. Por muitas que possam ser — e são-no — nomeadas, é a tragédia dos homens, mulheres e crianças anónimos o mais amargo legado da guerra. Há coragem, também, nestas páginas: a coragem dos soldados, marinheiros e aviadores, a coragem dos guerrilheiros e resistentes e a daqueles que, famintos, nus e sem forças nem armas, foram enviados para a morte.

Quem foi a primeira vítima de uma guerra que viria a fazer mais de quarenta milhões delas? Um prisioneiro desconhecido de um dos campos de concentração de Adolf Hitler, com toda a probabilidade um criminoso de direito comum. Numa tentativa de apresentar a Alemanha como vítima inocente de uma agressão polaca, vestiram-lhe um uniforme polaco, levaram-no para a cidade fronteiriça alemã de Gleiwitz, e a Gestapo abateu-o na noite de 31 de Agosto de 1939, na estranha encenação de um «assalto polaco» à estação de rádio local. Na manhã seguinte, quando as tropas alemãs começaram a entrar na Polónia, Hitler apresentou, como um dos motivos que justificavam a invasão, «o ataque ao retransmissor de Gleiwitz por tropas regulares polacas».

O episódio de Gleiwitz, numa homenagem ao chefe das SS que colaborou na sua preparação, recebera o nome de «Operação Himmler». Nessa mesma noite de 31 de Agosto, a nação que menos de uma semana antes se fizera aliada da Alemanha, a União Soviética, conseguiu finalmente derrotar os japoneses na fronteira com a Mongólia, quando as forças soviéticas, comandadas pelo general Zhukov, venceram as últimas resistências do 6.° Exército japonês em Khalkhin Gol.